Sunday, July 8, 2007

Renda-se aos protagonistas da luta anti-cancro, numa cozinha perto de si.

 

  Um relatório elaborado em conjunto pela World Cancer Research Fund e o

  American Institute for Cancer Research revelou dados, no mínimo,

  revoltantes: trinta a quarenta por cento dos cancros apresenta, como pano

  de fundo, um regime alimentar inadequado. O que é mais surpreendente, no

  mau sentido, é que a ciência tem, cada vez mais, vindo a demonstrar que é

  possível defendermo-nos de vários tipos de cancro através de uma

  alimentação equilibrada, onde se destacam «ingredientes» específicos.

 

  Por que teimamos em ignorar esta «chance» que nos é dada, diariamente,

  cada vez que nos sentamos à mesa? Existem vários estudos que defendem que

  uma dieta rica em espinafres é um factor de protecção contra o cancro do

  pulmão e do estômago. Outros vegetais, como os brócolos, desempenham um

  papel importante na prevenção do cancro da mama, do útero e do cólon, com

  provas dadas cientificamente. O consumo assíduo de massas e cereais está,

  por seu turno, relacionado a uma redução do risco de cancro da mama.

 

  Conheça quais os alimentos que deve privilegiar na prevenção de doenças

  cancerígenas:

 

  Tomate

  Para os apreciadores da cozinha italiana, esta é sempre uma boa notícia.

  Molho de tomate e até ketchup são instrumentos preciosos na prevenção do

  cancro, mais poderosos do que o tomate ingerido cru ou sob a forma de

  sumo. Pois é, este fruto tem, na sua composição, vitaminas A, C, folato e

  potássio, como o espinafre.

  Mas a sua mais-valia é um antioxidante que se chama licopeno (que também

  existe na melancia e no morango). O licopeno pode bloquear o início do

  processo que está na origem de vários tipos de cancro, como o da próstata

  e do estômago. Um estudo realizado em Harvard e que teve a duração de seis

  anos permitiu concluir que os homens que consomem dez ou mais porções de

  tomate (ou entre quatro a sete «doses» de produtos à base de tomate) por

  semana, reduziram o risco de cancro da próstata em cerca de quarenta e

  cinco por cento.

 

  Cenoura

  Um estudo publicado em Fevereiro conseguiu identificar, finalmente, o

  composto da cenoura que é maioritariamente responsável pela sua acção

  «anticancerígena». O nome deste é falcarinol, só existe na cenoura, e

  trata-se de um pesticida natural que protege as cenouras de fungos. Embora

  já se soubesse que a cenoura é composta por beta-caroteno, um precursor da

  vitamina A que desempenha uma função protectora importante, os cientistas

  de NewCastle pensam que a descoberta do falcarinol pode ter sido um passo

  na direcção da criação de uma nova geração de fármacos contra o cancro.

 

 

  Soja

  O segredo da baixa incidência de cancro da próstata, da mama, do cólon e

  da boca parece residir na dieta oriental, em que a soja representa um

  lugar de relevo. As isoflavonas, os fitatos e os fitoesteróis, substâncias

  que existem na soja, justificam que as propriedades desta sejam tão

  aclamadas. E se torce o nariz aos tradicionais «rebentos», nada de «fugir

  com o prato à soja»: esta pode ser consumida sob a forma de sumo, iogurte,

  leite, salsichas, hambúrgueres, bolachas e sobremesas.

 

  Ervilha

  Mesmo com uma «estatura» tão pequena, a ervilha hospeda beta-caroteno e

  luteína, outro antioxidante que exerce um efeito protector sobre as nossas

  células. Muitos estudos demonstraram que quanto maior for o consumo de

  vegetais e frutos com beta-caroteno (cenoura, beterraba, abacate, cereja,

  entre outros) menor será a probabilidade de ter alguns tipos de cancro,

  como o do estômago e do pulmão.

 

  Uva

  Especialistas da universidade de Harvard revelam que a ingestão regular

  deste fruto, assim como da sua versão em sumo, constitui um factor de

  protecção contra vários tipos de cancro. Também o morango, a amora e a

  framboesa fazem parte deste grupo de elite.

 

  Leite

  O leite é uma fonte privilegiada de cálcio. Mas talvez não esteja a par

  deste dado: a prevalência de vítimas de cancro é menor nos consumidores

  inveterados de leite. E sabia que, de acordo com um estudo publicado no

  International Journal of Cancer, as mulheres que bebem leite magro todos

  os dias estão a construir uma barreira contra o cancro da mama?

 

  Alho

  O seu consumo regular está directamente associado a uma menor incidência

  de cancro, pois pesquisas defendem que a alicina, a substância «aromática»

  que existe no alho, inibe a formação de partículas cancerígenas que se

  formam durante a digestão. Segundo um dos investigadores, comer um dente

  de alho esmagado (cru ou cozinhado) é uma das medidas anticancro mais

  fáceis de pôr em prática. E com a vantagem de, para quem não suporta o

  carimbo do alho, ou seja, o cheiro, existir sob a forma de comprimidos ou

  cápsulas.

 

  Cebola

  Quanto mais «ácidas» melhor, diz quem sabe. Referimo-nos aos

  investigadores da Universidade de Cornell, que verificaram que as cebolas,

  especialmente aquelas cujo sabor é mais pronunciado, são detentoras de uma

  quantidade apreciável de flavonóides, substâncias que inibem o

  desenvolvimento de células cancerígenas.

 

  Laranja

  Para além da abundância de vitamina C que existe na sua composição, à

  semelhança do maracujá e do limão, a laranja é detentora de fitoquímicos,

  substâncias que têm conquistado um lugar de destaque no combate a doenças

  cancerígenas.

 

  Chá

  O seu percurso é milenar e ocupa o segundo lugar no ranking mundial das

  bebidas mais consumidas (a seguir à água). Nos últimos anos, atribuiu-se

  ao Chá o poder de prevenir doenças cardiovasculares, excesso de peso,

  afecções da boca e diversos tipos de cancro. A chave para este sucesso

  reside nos antioxidantes, que protegem o nosso organismo da acção dos

  radicais livres – os vilões que lesam as nossas células, abrindo caminho

  para o desenvolvimento de várias patologias.

 

  Comecemos por um dos heterónimos, o chá verde. É possuidor de mais

  antioxidantes do que o chá preto, pois o seu processo de fermentação é

  muito curto, mantendo intactos estes elementos. Na linha da frente destes

  antioxidantes encontram-se os polifenóis e sabe-se que apenas uma chávena

  de chá verde contém entre cem a duzentos gramas desta substância. Ainda

  dentro do grupo de polifenóis existe a catequina, que tem características

  anti-cancerígenas e anti-inflamatórias. O chá verde foi eleito, de entre

  todos os alimentos, o fornecedor, por excelência, de catequina.

 

  Uma pesquisa realizada pela American Dietetic Association defende que

  beber entre duas a quatro chávenas de chá verde por dia pode reduzir o

  risco de vários tipos de cancro. Também especialistas do The American

  Institute for Cancer Research referem que estudos de longa duração, em

  regiões onde o consumo de chá verde é elevado, revelam a existência de uma

  menor taxa de incidência de cancro do cólon, do pâncreas, do estômago e do

  esófago. Afirmam ainda que a ingestão de chá verde retarda ou previne

  totalmente o desenvolvimento de cancro da mama, do cólon e do fígado,

  oferecendo um efeito protector semelhante em relação ao cancro do pulmão,

  da pele e do aparelho digestivo.

 

  O tradicional chá preto (também denominado chá vermelho na China), embora

  tenha menos antioxidantes do que o seu irmão verde e obrigue a um consumo

  moderado, por ter cafeína, constitui igualmente um importante escudo

  protector contra o cancro. Aliás, várias pesquisas apuraram que o chá

  verde e o chá preto têm dez vezes mais antioxidantes do que os vegetais e

  a fruta.

 

  Raro e só agora mais conhecido entre nós, o chá branco ou White Peony

  promete dar que falar. De acordo com estudos levados a cabo pelo Linus

  Pauling Institute of Oregon State University (das poucas pesquisas que já

  existem sobre esta variedade de chá), julga-se que o chá branco seja o

  mais puro de toda a família, «exibindo» o triplo de substâncias

  antioxidantes do chá verde.

 

  O tradicional chá de limão (com um bocadinho de casca do fruto),

  considerado tradicionalmente como uma boa forma de ajudar a aliviar dores

  de garganta e outras queixas associadas à gripe, tem outros trunfos na

  manga: actua na prevenção do cancro da pele! Uma pesquisa da Universidade

  do Arizona, que envolveu quatrocentas e cinquenta pessoas, apurou que

  aquelas que não tinham cancro da pele eram precisamente as mesmas que

  bebiam regularmente chá de limão e chá preto. Os cientistas afirmaram

  ainda que o efeito preventivo do primeiro rondava os setenta por cento,

  sendo atribuído um valor de quarenta por cento à acção do chá preto.

 

  Um pequeno aparte: não obstante todos os benefícios do chá, deve existir

  moderação na sua ingestão, em especial na gravidez.

 

 

 

 

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  Paulo Calado

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