Agricultura biológica Árvores com "chip" incorporado Inovação. No Fundão, o maior produtor de cereja biológica da Europa desenvolveu tecnologia de ponta para gerir o seu pomar. Conceição Antunes | ||||||||||||||||||||
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Aquele vasto cerejal do Fundão já deixou de ser gerido "a olhómetro". As árvores têm um "chip" incorporado e todas as operações de rega, colheita ou colocação de adubos são controladas ao milímetro, sendo a informação continuamente encaminhada para um sistema central. "Agora, as árvores podem falar comigo", refere o agricultor. Dar uma voz à Natureza O sistema no pomar biológico de Carlos Mendes está em fase de construção, prevendo-se a sua conclusão até ao final do ano. Vai incorporar um conjunto variado de tecnologias, envolvendo também investigação da Universidade de Coimbra. Para desenvolver esta nova plataforma de "software", o agricultor português juntou-se ao informático e consultor belga Paul Raoul Gailly na criação de uma empresa comum, a SSIAgri, que está a funcionar no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã. "Sempre tive o problema de conseguir gerir uma área que excede a minha capacidade humana", reconhece o produtor de cereja do Fundão. E acrescenta: "E sou obrigado a fazer o controlo dos produtos que envio para os supermercados europeus". Segundo Paul Raoul Gailly, "o carácter inovador do sistema está em dotar a Natureza de uma voz. Numa produção biológica há mais regras que são impostas, e o grau de rastreabilidade do sistema ultrapassa de longe as regras mais exigentes". Quando estiver finalizado, o sistema permite gerir as colheitas em função da previsão de chuvas ou outras condições de clima adverso que podem danificar as cerejas. "Como numa fábrica, posso informar o meu cliente na Bélgica ou na Alemanha que dentro de xis dias tenho xis quilos de cerejas colhidas. É o que sempre quis fazer e nunca consegui", salienta Carlos Mendes. Ao vender para cadeias como Jumbo e El Corte Inglés, o produtor também reforça o "casamento com a grande distribuição", ajudando ao controlo da fruta que entra nos armazéns. O consumidor também terá acesso, pela Internet (e com o código de barras da embalagem), a toda a informação sobre tratamentos feitos na cerejeira que deu os frutos que vai comer. A 'cereja em cima do bolo' é poder ver imagens da própria árvore, através de câmaras móveis a instalar no pomar. "O que está em causa é a segurança alimentar e a credibilização de origem. Não ficam dúvidas para o consumidor que as cerejas são da Cova da Beira, contrariamente à questão que se fala de pôr fruta espanhola nas casas portuguesas", sublinha o agricultor. "Este sistema foi algo que pensei para mim. Mas aplica-se a qualquer produção, tanto biológica como convencional", frisa Carlos Mendes, referindo que além da cereja, o sistema pode ser aplicado à produção de azeite, vinho, hortofrutícolas e até à floresta, com vista a obter ganhos de eficiência em várias frentes. "Vamos criar um conceito de agricultura para conseguir produtos mais baratos". A meta da SSIAgri é "criar um produto português com uma patente" e exportá-lo para vários países. Numa primeira fase, já em 2009, o alvo é a Península Ibérica, além de Itália, França ou Grécia. "O nosso caminho vai ser evoluir para um prestador de serviços global e um parceiro na gestão florestal", adianta Carlos Mendes. "E aqui já estamos no domínio da inovação pura". Compensa uma produção 100% biológica? "A cereja desenvolve-se em dois meses e requer muito menos intervenções fito-sanitárias que as batatas ou as cenouras, por exemplo", explica o agricultor. "A Mãe-Natureza é a minha grande sócia. É ela que faz 90% das coisas", sublinha.
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Friday, August 29, 2008
Agricultura biológica
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