Monday, November 24, 2008

Uma pen cheia de saúde

Uma pen cheia de saúde

Numa pen USB é possível guardar radiografias, análises e receitas de uma vida inteira. O conceito acaba de estrear pelas mãos da Mobilwave

Ainda tem guardados os raios X de há dois anos? E as análises e o boletim de vacinas sabe onde estão? O Processo Clínico Electrónico (EPCI) promete ajudá-lo nestas questões. Com uma condição: não pode ser um nostálgico das chapas de radiografia ou da letra de médico.Isto porque o EPCI é uma pen USB, com uma aplicação pré-instalada que guarda e organiza, em suporte digital, todos os documentos que acompanham a vida clínica de um indivíduo. A solução foi criada pela Mobilwave e acaba de ser lançada na versão de 1 GB.

«Uma das grandes vantagens da solução é não perder os exames ou as análises. Hoje há grandes custos na saúde provocados pela perda de exames ou análises. Com todos estes dados na pen, o utilizador não gasta dinheiro a fazer os exames que perdeu, mas também as seguradoras e Serviço Nacional de Saúde ficam a ganhar», garante Francisco Duarte, administrador da Mobilwave.

O EPCI está ser comercializado com uma pen incorporada numa cápsula metálica própria para o transporte diário no bolso ou no porta-chaves. A pen da Mobilwave dispensa a instalação de software nos computadores utilizados para extrair ou inserir informação.

«O software que se encontra na pen dispõe de três níveis de acesso. Um de acesso geral onde são inseridos dados ou alertas úteis numa emergência; um segundo para o acesso dos médicos; e por fim, um último com acesso apenas do utilizador. O EPCI recorre a criptografia de 128 bits», explica Francisco Duarte.

O software do EPCI não pode ser descarregado da pen para o computador pessoal. Com esta restrição, pretende-se evitar eventuais cópias-pirata e também a dispersão de dados dos pessoais por computadores menos recomendáveis.
A Mobilwave prevê vender o EPCI em farmácias, seguradoras, mas também Internet e ginásios. «Pretendemos que evolua ao longo do tempo, com a inserção de funcionalidades adicionais. Além da área da saúde, também queremos apostar num posicionamento relacionado com o estilo de vida», acrescenta o responsável da Mobilwave.

Em casa ou no hospital
O EPCI deverá começar a ser vendido por cerca de 40 euros (IVA incluído) na versão de 1G B. Posteriormente, a Mobilwave deverá lançar versões de 2 GB, 4 GB ou 8 GB. Apesar do preço, Francisco Duarte acredita que os utilizadores vão sentir-se aliciados por uma solução que facilita a gestão de processos clínicos e até pode repercutir-se em poupanças ao longo do tempo.
«Alguns hospitais já entregam raios X e outros exames em DVD. Sabem que é mais barato e que é mais fácil de guardar. Além disso, também tem vantagens do ponto de vista ecológico», recorda Francisco Duarte.

Porque a adesão das unidades hospitalares pode ser uma mais-valia em termos comerciais, a Mobilwave já começou a estudar a compatibilidade entre o software do EPCI e aplicações clínicas mais utilizadas, a fim de desenvolver actualizações imediatas dos dados, quando solicitados pelo utilizador (hoje, os dados têm de ser descarregados manualmente de um computador, como se faz com as pen tradicionais).

Em inglÊs tambÉm
Actualmente, a Mobilwave está a desenvolver uma versão do processo clínico electrónico em inglês, que pode servir de alavanca para o mercado estrangeiro. Outra das apostas da companhia é a venda de módulos digitais do boletim de saúde infantil, da grávida, do diabético ou do hipertenso no site www.myepci.pt.

Apesar de conter dados tão valiosos para o utilizador, o EPCI não perdeu as funções tradicionais de uma pen. «Podemos lá colocar o que quisermos, até dados que não são de âmbito clínico. O EPCI tem partições, que permitem dividir os dados por várias temáticas», conclui Francisco Duarte.


O EPCI ao detalhe

O software do EPCI foi desenvolvido em tecnologia .Net, da Microsoft. Pode ser utilizado em qualquer computador que tenha porta USB; dispensa a instalação de software no computador que fornece o acesso aos dados. Por enquanto,
é apenas compatível com Windows, mas a Mobilwave conta vir a lançar versões para sistemas operativos Linux ou da Apple.

A Mobilwave inaugurou o conceito da "pen clínica" com uma versão de 1 GB de capacidade de armazenamento, que custa cerca de 40 euros. Futuramente, serão postos à venda modelos de 2 GB, 4 GB e 8 GB (este último terá um preço a rondar 130 euros).

O EPCI permite armazenar fotos, vídeos, ecografias, electrocardiogramas, textos, gráficos, radiografias, digitalizações de resultados de análises, entre outros formatos de imagem e documentos que clínicas, laboratórios e hospitais costumam usar.

Para quem se habituou aos computadores, a utilização do EPCI é intuitiva. O acesso é feito em três níveis: acesso geral para os dados de emergência, que dispensa a inserção de uma password; acesso para pessoal clínico, com uma password própria; e por fim, o acesso do proprietário, que tem a sua password e permite distribuir a informação visível nos três níveis de acesso.

Por razões de confidencialidade dos dados e protecção antipirataria, o sistema não permite a cópia do software EPCI para o computador.
A segurança dos dados é assegurada por encriptação de 128 bits.
A actualização do EPCI é feita através da descarga de ficheiros para uma área própria. Posteriormente, o utilizador pode definir em que níveis de acesso os dados são disponibilizados, ou em que menus devem estar arquivados.

O menu de utilização dispõe de módulos de configuração e gestão de dados tanto de âmbito temático como de segurança. O software do EPCI dispõe também de um serviço de agenda, que permite inserir lembretes, alertas, notas ou contactos pessoais. O sistema contempla ainda um serviço de vigilância que permite emitir alertas automáticos, caso os índices do colesterol, da tensão arterial sejam anormais. No menu também se encontram áreas específicas para receitas e medicação e descrição do histórico clínico.

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