Monday, March 16, 2009

Comissão Europeia estima que Portugal terá o maior corte da UE nas pensões

Comissão Europeia estima que Portugal terá o maior corte da UE nas pensões
16.03.2009 - 08h50
Por João Ramos de Almeida (Público)

Portugal apresentará em 2046 o maior corte médio de pensões de reforma da União Europeia, segundo um relatório da Comissão Europeia sobre a inclusão social.

Já a previsão do Governo é menos pessimista. De qualquer forma, trata-se de estimativas para quem entre agora no mercado de trabalho. E o que acontece aos que já trabalham?

Os números parecem assustadores. Na realidade, nenhuma instituição nem o Governo têm números para o que vai acontecer às pensões dos trabalhadores actuais, porque apurá-los nunca foi preocupação. Uma coisa é certa: as pensões desses portugueses vão diminuir em cada ano face à lei vigente até 2006, fruto da reforma da Segurança Social desse ano. E os relatórios internacionais vão já dando conta dessas alterações.

O tema da quebra das pensões não é novo. Após a reforma de 2006, suscitou um curto debate na comunicação social, com o Governo a negar esse facto. Voltou recentemente após a divulgação pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) do estudo Private Pensões Outlook 2008 que actualizou as previsões do estudo de 2007. E mais recentemente com a difusão do mais actual relatório da Comissão Europeia sobre a inclusão social.

Esse relatório revela que para quem tenha recebido um salário médio e descontado durante 40 anos, a pensão antes de impostos a receber em 2046 descerá de 70 para 50 por cento do último salário bruto. Ou seja, menos 29 por cento. Um número acima da estimativa oficial do Governo. No anexo da reforma (ver infografia) ficou um gráfico onde se pode ver que a pensão média em 2050 baixará dos actuais 71 por cento do salário recebido para 55 por cento, ou seja, uma quebra de 23 por cento.

Se o tema não é novo, a estimativa da quebra média das pensões continua a ser de difícil estimativa. Para cada trabalhador, depende do ano em que se reformar, da sua carreira de descontos sociais, do seu nível salarial ao longo dessa carreira e, ainda, de dados que apenas existem actualmente como previsões e que podem mudar todos os anos. É o caso da esperança de vida no ano anterior ao do momento da reforma e do sistema fiscal sobre os rendimentos salariais e dos reformados.

Mas nem a OCDE ou a Comissão Europeia duvidam de que as pensões vão baixar. Dado que o Governo decidiu, em 2006, introduzir a esperança de vida (factor de sustentabilidade), a pensão só pode ser inferior à que vigorava em 2006 (ver cronologia). Em quanto é que é a dúvida.

Estimativas da OCDE

Para quem está no mercado de trabalho, não vai ser fácil estimar a quebra da sua pensão. As estimativas da OCDE - as mais completas - são para 2050. As da Comissão Europeia para 2046 ou 2050. Em grande medida, dependerá do ano de reforma. Em 2030, por exemplo, uma pensão bruta ficará entre o valor actual e o corte previsto para 2050 (ver infografia).

E quais são essas estimativas? A infografia mostra que para quem se reformar em 2050 e o seu último salário for metade do salário médio (antes de impostos), então a primeira pensão recebida representará 70,4 por cento do salário. Quebra estimada: como antes da reforma de 2006, a pensão representava 92 por cento do salário bruto, será de 23 por cento.

Mas atente-se que depois de impostos ficará com 81,6 por cento do salário líquido. Isso será correcto se até 2050 não for alterado o nível de tributação, o que é muito improvável e torna qualquer previsão falível.

E quanto aos salários mais elevados? Esses sofrerão quebras mais pronunciadas em termos brutos. A tabela dá uma ideia da quebra para diferentes níveis salariais relativos ao salário médio. Basta estimar qual será em 2050 o seu último salário, o que também não é fácil.

A tabela mostra também a diferença entre as taxas brutas e líquidas, o que ilustra o impacte do actual sistema fiscal na pensão. À medida que o salário aumenta, os impostos penalizam menos os pensionistas. As taxas líquidas crescem, ou seja, as pensões são maiores.

Mas essas taxas já estão desactualizadas. O Governo parece ter querido "endireitar" esse desvio para "os mais ricos". Os orçamentos de Estado de 2007 e 2008 introduziram cortes nas deduções específicas dos rendimentos dos reformados. Efeito: a pensão será ainda mais baixa.

Um tema deixado na sombra

Mas se as previsões da OCDE foram validadas pelo Governo português, porque nunca foram divulgadas? A baixa das pensões nunca foi um tema analisado. A discussão da reforma centrou-se no equilíbrio da Segurança Social (ver texto). Passados três anos, ainda não há números.

Carlos Pereira da Silva, docente do ISEG, diz que alertou o Governo de que ia dar menos pensão pelo mesmo esforço contributivo e aumentar indirectamente a idade de reforma ao obrigar a trabalho mais para a mesma pensão. "O Governo não quis atrasar mais a sua 'melhor reforma'", afirma Pereira da Silva. Mas havia alternativas. Na Finlândia, introduziu-se o mesmo factor de sustentabilidade, mas o Estado pagou metade. Na Sué-cia, fechou-se um grupo geracional de futuros pensionistas, emitiu-se dívida pública para pagar o défice, introduziu-se a longevidade, mas ponderada com uma taxa de juro, e recomeçou-se do zero para quem entrou no mercado de trabalho com contas públicas virtuais financiadas por descontos sociais.

Os valores da OCDE não surpreendem Fernando Ribeiro Mendes, ex-

-secretário de Estado da Segurança Social do Governo Guterres. Lembra a advertência de Boaventura Sousa Santos, no Livro Branco, sobre estar a criar-se um sistema de protecção social de pobres. E concorda que o factor de sustentabilidade talvez pudesse não ser sentido por todos de igual forma. Afinal, "a esperança de vida não é igual para todos", sintetiza.

29 por cento

É a perda estimada pela Comissão Europeia para a pensão a receber em 2046. Antes um trabalhador recebia 70 por cento do último salário, após a reforma de 2006 estima-se em 50 por cento.

Até 2001

A pensão de reforma era calculada com base na média dos melhores dez salários dos últimos quinze anos. Equivalia a dois por cento dessa média por cada ano de descontos, podendo ir até os 80 por cento da remuneração de referência (40 anos x 2 = 80).

Reforma de 2001

Aprovada na concertação social (com a CGTP). Passou a contar toda a carreira de descontos, mas apenas para quem se reformasse em 2017. Até lá, a pensão era o maior valor entre a regra antiga e uma média ponderada das duas regras (antes e depois de 2001). A taxa de formação da pensão podia ultrapassar os 80 por cento da remuneração de referência.

Maio de 2006

O Governo prevê uma ruptura da Segurança Social em 2015.

Reforma de 2006

Acordo na concertação social (sem a CGTP). A ruptura foi evitada com três medidas: antecipar a reforma de 2001, introduzir um "factor de sustentabilidade" e novas fontes de financiamento. O fim da transição da reforma de 2001 significou que a pensão integrou as primeiras fases da vida profissional em que se recebe menos. Efeito: redução de pensão. O "factor de sustentabilidade", baseado na esperança de vida, teve o efeito de reduzir a pensão. Porque se considera o montante total que o pensionista reformado em 2006 receberia desde os 65 anos até à sua morte. Seria mais 15,7 anos para os homens e 19,1 anos para as mulheres. Se a esperança de vida aumentar, esse "bolo" é repartido pelo acréscimo de esperança de vida. Efeito: pensão tendencialmente mais baixa. A diversificação de fontes permitiria diluir o esforço dos pensionistas, mas essa discussão - apesar de prometida - não se fez. E o custo recaiu sobre eles.

Governo evitou falar na baixa das reformas

Os documentos oficiais da reforma de 2006 mostram que o Governo evitou a conclusão de que as pensões iriam baixar. O executivo não comentou até à hora de fecho desta edição.

Apesar de um dos quadros anexos ao acordo apresentar uma quebra da taxa de substituição bruta do salário pela pensão de 71 para 55 por cento em 2050 (ver infografia) e de outro mostrar uma quebra da pensão média de 18 por cento em 2050, os textos nada concluem.

No documento das linhas estratégicas da reforma anunciava-se o factor de sustentabilidade. Um método que faria com que os "futuros beneficiá-

rios de pensões se encontrem em igualdade relativa com os actuais pensionistas recebendo os recursos a que têm direito de modo ajustado ao maior número de anos ao que previsivelmente deles beneficiarão". Ou seja, todos receberiam o "mesmo", tivessem mais ou menos esperança de vida. E como no futuro se espera viver mais, a pensão teria de baixar. Mas essa ilação não foi retirada.

Em seu lugar, afirmou-se que a reforma "deixa a cada cidadão uma maior margem de opção, por oposição a um eventual aumento de idade legal de reforma". Ou seja, cada pensionista decidia se queria trabalhar mais para receber o que recebia antes ou se ficava com menos reforma. "Deste modo, cada cidadão poderá antecipar os efeitos previsíveis do factor de sustentabilidade", referia-se. Mas que efeitos eram esses?

No acordo de 2006, admitiu-se que a "penalização resultante da aplicação desse factor não deve ser confundida com redução das pensões". Porquê? Porque, no futuro, as carreiras contributivas tenderiam a ser completas e os salários mais elevados. Ou seja, não se comparava um mesmo caso antes e depois da reforma.

Quanto à antecipação da reforma de 2001, frisava-se: "O que se propõe é que se possa entretanto reforçar o potencial de curto e médio prazo de tal reforma (...) por forma a que mais rapidamente se possam sentir os benefícios da maior justiça contributiva que tal fórmula induz". Isto é, contar-se com a carreira contributiva completa e baixar a remuneração de referência da pensão.

Mas o texto do acordo de 2006 admitia que uma "transição mais rápida para a nova fórmula de cálculo de pensões tem efeitos de curto, médio e longo prazo no saldo do sistema". Ora, isso só aconteceria se os "custos" fossem menores face aos vigentes então. Ou seja, as pensões iam baixar, porque só isso gerava menos despesa no sistema.

Thursday, March 5, 2009

OCDE avisa: pensões vão cair para metade

Economia

Percentagem fica pelos 54,1%

OCDE avisa: pensões vão cair para metade


Trabalhadores vão receber uma reforma igual a metade do último salário, por causa das mudanças da Segurança Social Os actuais trabalhadores portugueses vão ter, em média, uma das pensões mais baixas do conjunto dos 30 países mais desenvolvidos do mundo, que corresponderá a pouco mais de metade do último salário recebido, diz o «Diário Económico».

As contas são da OCDE e confirmam o forte impacto da reforma do sistema de pensões: antes, os trabalhadores podiam contar com uma pensão média correspondente a 90% do último salário recebido, agora, esta taxa será muito baixa e para quem se aposentar em 2030 ficará pelos 54,1%.

Portugal destaca-se como um dos poucos países - apenas sete em 30 - onde o sistema de pensões público é o único com relevância. É por isso que, comparando as taxas de substituição dos regimes exclusivamente públicos e de repartição, Portugal fica acima da média (44%).

Looking back into history

The Tech Lab: Alastair Reynolds

Science fiction author Alastair Reynolds, author of Revelation Space and Century Rain, wonders if we could do a better job of looking back into history.

If there's a silver lining to the dark cloud of CGI-dominated blockbusters that seem to infest the cinema lately, it's this: the same digital technology that can make Spiderman or Hulk leap around the screen in a singularly unconvincing fashion, can also be used to create something infinitely more interesting: the past.

Imagine if you could actually walk around in a simulated version of a scene from history? Wouldn't that be worth an hour of anyone's time?

I'm not talking about the Star Trek holodeck here. I'm talking about something we could have sometime next week, if the appropriate technologies were combined.

For a start, we'd need a computer system capable of running the simulation - but in these days of super-powerful games consoles, that surely isn't too much of an ask.

Imagine fast-forwarding through entire centuries, watching buildings rise and fall, the Great Fire of London coming and going in a convulsive flash, transforming half the city

We'd also need a display device, feeding a constantly moving three-dimensional viewpoint to the participant, something like a virtual reality headset. We'll call them goggles, but they don't have to look any weirder than Bono's last pair of wraparound shades. You don't want to look like a complete berk, do you? Actually, let's not go with Bono's shades.

The problem is, virtual reality is so Lawnmower Man, so 1990s. Can't we go one better than that? Can't we integrate the simulation with the real world instead?

Easily enough, as it happens. We certainly don't need any kind of motion capture suit or scanning rig, because that's not how it's going to work. The system isn't going to track how you move; it's only going to track the movement of the wraparound goggles.

With differential GPS receivers embedded in the goggles, that's all the data it needs.

You're not going to be trapped in some windowless room somewhere, prancing around like a demented mime artist. You're going to be walking through your favourite city, perhaps the place where you actually live. Simultaneously, the goggles are feeding you a one-to-one overlay derived from the computer simulation, integrated seamlessly with your view of the real world.


The key is that the goggles don't have to feed you the view of the present day. They can feed you the past.

Imagine you're walking through London. There's a slider on the left side of the frame; you can reach up and adjust it as you walk. By moving the slider, you can dial all the way back to the Blitz, or the time of Samuel Pepys, or the Londinium of 45AD.

It would be a fascinating - not to mention disorientating - experience. Imagine fast-forwarding through entire centuries, watching buildings rise and fall, the Great Fire of London coming and going in a convulsive flash, transforming half the city. You'd feel like HG Well's time traveller, hurtling through time. You'd get an entirely new perspective on a familiar neighbourhood.

Of course, there'd need to be a certain amount of fudging. Streets and rivers re-align themselves; what was once passable becomes impassable. Ground levels change dramatically. But all of that could be accommodated; the aim would be to educate and illuminate, but that wouldn't mean that the simulation had to be rigorously correct at all times.

Speaking of education, it seems to me that one of the earliest applications of such a technology - if it doesn't already exist in embryonic form - would be in museums, especially those dealing with the buried past.

Imagine visiting an historical site a few years down the line, something like the Roman spa in the city of Bath. Instead of being given the option to hire a handset with a pre-recorded commentary, you get given a pair of goggles, with an associated earpiece.

They're a bit scuffed from repeated use, but they've been thoroughly cleaned since the last person used them. You put them on and move into the museum proper. The goggles are preset for 45AD, but you can move the left-hand slider up and down to surf through the ages. If you wish you can even skip to post Roman times and stroll around the greening ruins.

Importantly, there's a second slider on the right side of the goggles. This one is preset to low immersion: when you first don the goggles, it displays the simulated overlay as a ghostly tracery, a bit like the vector graphics of old arcade games. You can see where walls and floors used to be, but you're still firmly anchored to the real world.

Turn the slider up a bit, though, and the overlays become progressively more solid, more photo-real.

Turn it up a bit more and the glasses begin selectively deleting what they don't want you to see - the modern walls that are in the wrong place, the modern ceiling that should show the blue sky and clouds of Roman Britain instead. What's more, the slider goes even further up the scale.

There's no reason why the software can't drop in a few authentic-looking Roman citizens, going about their business. As you walk past them, your earpiece picks up snatches of murmured conversation in Latin. A subtitle tells you what they're really saying.

While you're at it, why not have the option of deleting some of your fellow visitors? You came to see Roman ruins, not a gaggle of exchange students ticking off another item on the itinerary.

Depending on the software, the goggles could overlay a "Roman" over each visitor, or render them entirely invisible until they came within a certain collision volume. At which point, they could be progressively de-erased, or perhaps flagged with a graphical outline. It would be up to you how far you adjusted the slider.

I don't know. I think this would be pretty fantastic, but who knows? Perhaps it would be yet another reason not to exercise the imagination; yet another reason not to have to think too hard.

After all, you have to think to make sense of schematic diagrams and dioramas, the usual stuff of museums. You have to work at it a bit. And maybe that's a good thing.

But I definitely wouldn't mind finding out

Imagining the future of technology
Story from BBC NEWS:
http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/2/hi/technology/7926422.stm

Published: 2009/03/05 14:44:14 GMT

© BBC MMIX

Tuesday, March 3, 2009

Experts uncover cause of greyness

Experts uncover cause of greyness

Scientists at Bradford University believe they have uncovered the root cause of why hair turns grey.

It is an accepted part of the ageing process, but experts say understanding how grey hair happens could help find a way to prevent it.

Experiments found it is caused by a massive build-up of hydrogen peroxide due to wear and tear of hair follicles, which blocks hair's natural pigment.

The research has been hailed as a "major breakthrough".

The scientists worked in collaboration with experts in Mainz and Luebeck in Germany and the discoveries have been published in the FASEB scientific journal, published by the Federation of the American Societies for Experimental Biology.

Lead researcher Karin Schallreuter said experts examined hair as well as cells from human hair follicles to uncover the findings.

He said: "This discovery is a major breakthrough in the understanding of hair greying and opens up some novel ideas to combat this scenario.

"These are being followed up at the current time in our laboratory."

Story from BBC NEWS:
http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/2/hi/uk_news/england/bradford/7920363.stm

Published: 2009/03/03 08:21:15 GMT

© BBC MMIX