A partir de células imunitárias retiradas da medula óssea
Investigadores anunciam reconstituição de tecidos dentro do corpo
18.04.2005 - 12h47
Investigadores australianos anunciaram hoje a descoberta de uma
técnica que pode permitir a reconstituição de órgãos no interior do
corpo humano e prolongar a vida de pacientes com doenças renais.
Este procedimento, que segundo os investigadores é posto em prática
pela primeira vez, utiliza uma cavidade abdominal como uma espécie de
"bioreactor" para provocar o desenvolvimento de órgãos ou veias a
partir de células vindas da medula óssea.
Os investigadores da Universidade de Queensland já conseguiram criar
novos tecidos em cavidades do corpo de ratinhos e cães utilizando-os
depois para substituir tecidos doentes, sem risco de novas doenças ou
infecções.
Os testes clínicos desta descoberta vão ser levados a cabo a curto
prazo por Julie e Gordon Campbell.
Julie Campbell explicou que esta técnica utiliza a reacção natural de
defesa do corpo face à presença de um corpo estranho no organismo, ou
seja, é provocada uma reacção inflamatória. Segundo a investigadora,
todo o processo demora entre duas a três semanas, período durante o
qual este corpo estranho, à volta do qual se juntam as células
imunitárias retiradas da medula óssea, é retirado e colocado sobre os
tecidos doentes.
"Não podemos reconstruir órgãos completos como um rim, um coração ou
um cérebro mas tecidos flexíveis, como uma artéria, uma veia, um útero
ou uma bexiga", disse.
Os médicos acreditam que esta técnica pode vir a oferecer uma nova
esperança na substituição de vasos sanguíneos entupidos ou
danificados. Por outro lado, poderá revelar-se útil em pessoas que
sofrem de doenças renais e que precisam de fazer diálise.
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